A Copersucar apresentou a BioRota, a maior operação logística movida a biometano do Brasil. Mais de 70 caminhões substituem diesel por gás renovável produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar no transporte até o Porto de Santos. Em dois anos de operação: 13 mil viagens, 600 mil toneladas de açúcar transportadas, 8 mil toneladas de CO₂ evitadas, 5 milhões de litros de diesel substituídos e economia de 20% a 30% no custo do frete.

O biometano vem da vinhaça e da torta de filtro das usinas da Cocal, em Narandiba e Paraguaçu Paulista. Resíduos do mesmo processo que produziu o açúcar dentro do caminhão. A cadeia não apenas se fecha, ela se alimenta de si mesma. Tomás Manzano, CEO da Copersucar, resumiu com precisão: “o biometano descarboniza economizando.”

Quando a sustentabilidade reduz custo em vez de aumentá-lo, ela deixa de ser pauta de relatório ESG e vira vantagem operacional. E vantagem operacional replicável em escala se transforma em barreira de entrada.
É exatamente o que chamo de Estratégia do Oceano Verde.

No meu livro A Estratégia do Oceano Verde: Como Transformar Regulação e ESG em Vantagem Competitiva (ConceitoJur, 2026), analiso como empresas de setores distintos executam essa mesma lógica. A Maersk, com navios a metanol verde, vendendo “conformidade de scope 3” a clientes como IKEA e Nike. A Suzano, com títulos vinculados à sustentabilidade, acessando capital a juros menores. A Embraer, com a tripla certificação ANAC–FAA–EASA, transformando complexidade burocrática em passaporte global. Todas pararam de tratar conformidade como centro de custo e passaram a usá-la como fosso competitivo.

A Copersucar faz o mesmo com o biometano no transporte pesado. A BioRota é a prova operacional.

O cenário macro amplifica a aposta. O Brasil importa mais de 20% do diesel que consome. A volatilidade do petróleo é risco estrutural. Segundo estudo da própria Copersucar, a produção nacional de biometano pode triplicar até 2027. Se 20% do potencial disponível for direcionado à substituição do diesel na próxima década, a importação do combustível fóssil cai pela metade. A projeção é condicional, mas a direção é inequívoca.

Para quem opera em cadeias logísticas de exportação: terminais, armazéns e operadores portuários que se posicionarem como elos dessa cadeia renovável terão acesso preferencial aos embarcadores que precisam reportar scope 3. Quem investir primeiro constrói o fosso. Quem esperar paga o pedágio.

Sustentabilidade que aumenta custo é pauta de ESG. Sustentabilidade que reduz custo é vantagem competitiva. E sustentabilidade que fecha a cadeia, corta emissão e cria barreira de entrada é Oceano Verde.