O problema do licenciamento ambiental brasileiro não é o excesso de proteção. É o excesso de rito desconectado de resultado. Durante anos, o debate foi empurrado para uma falsa escolha: ou protegemos o meio ambiente, ou destravamos o desenvolvimento. Essa é uma leitura pobre.

O Brasil não precisa escolher entre licenciamento lento e licenciamento frágil. Precisa escolher um licenciamento que funcione. E funcionar, aqui, não significa apenas emitir uma licença mais rápido. Também não significa acumular estudos, pareceres, exigências e condicionantes sem qualquer conexão real com o impacto que precisa ser prevenido, mitigado ou compensado.

Licenciamento ambiental não pode ser uma corrida documental.

  • Também não pode ser um atalho irresponsável.
  • Ele deve ser uma tecnologia jurídica de decisão.
  • Uma forma de organizar risco.
  • Medir impacto.
  • Exigir prova.
  • Definir responsabilidade.
  • Criar condicionantes inteligentes.
  • Produzir ganho ambiental real.

A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental reacendeu uma discussão necessária. Mas a pergunta central não é apenas se a lei flexibiliza demais ou burocratiza de menos. A pergunta central é outra: o modelo brasileiro está conseguindo transformar licenciamento em resultado ambiental verificável?

Porque uma licença pode ser formalmente perfeita e ambientalmente ineficaz. Pode cumprir etapas, anexar documentos, gerar condicionantes e ainda assim não produzir melhoria concreta no território. Da mesma forma, uma licença simplificada pode parecer eficiente no papel, mas se não vier acompanhada de responsabilidade, rastreabilidade e fiscalização inteligente, apenas transfere o risco para depois.

E risco ambiental adiado quase sempre custa mais caro. Para o empresário sério, o licenciamento não deve ser tratado como obstáculo. Deve ser tratado como parte da estratégia de viabilização do empreendimento.

Para o Poder Público, o licenciamento não deve ser tratado como fábrica de exigências. Deve ser tratado como instrumento de governança ambiental.

E para o Direito Ambiental, a missão não pode ser apenas preservar o rito. A missão precisa ser proteger o resultado.

É aqui que a discussão precisa amadurecer.

  • Menos fetiche pelo papel.
  • Menos ilusão com o atalho.
  • Mais compromisso com métrica, prova e consequência.
  • Licenciamento ambiental de verdade não é aquele que demora mais.
  • Também não é aquele que libera mais rápido.
  • É aquele que consegue responder, com seriedade:
    • qual impacto existe,
    • qual medida é necessária,
    • quem responde por ela,
    • como o resultado será medido,
    • e qual ganho ambiental será produzido.

Sem isso, continuaremos presos ao pior dos mundos: burocracia para quem quer fazer certo e insegurança para quem precisa investir.

O futuro do licenciamento ambiental brasileiro não deveria estar na disputa entre acelerar ou travar. Deveria estar em uma pergunta muito mais séria: que modelo é capaz de gerar desenvolvimento com prova de ganho ambiental?

Essa é a discussão que realmente importa.